Interpretação computadorizada: bom ou ruim?

 

O título deste post nos leva a meditar sobre a validade ou não do uso de computadores no processo de correção dos testes psicotécnicos em geral. Como bem sabemos, todos os testes aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia passam por um processo de validação intenso onde as respostas são apresentadas e apreciadas de forma sistemática até que elas formem um padrão a ser aceito como norma.

Os testes projetivos, apesar de não possuírem propriamente uma resposta correta para as questões apresentadas, também passam por processo semelhante de validação, porém devido a enorme diversidade de respostas, sua normatização é mais complexa, até porque aspectos culturais também influenciam em seus resultados. Já os testes psicométricos são mais fáceis de serem aprovados uma vez que é mais simples sua apuração e análise.

Aqui neste site, especificamente, tratamos do teste Palografico, e notamos que ele possui característica única pois pode ser considerado um teste com componentes projetivos e psicométricos. Daí a necessidade de se conhecer previamente o indivíduo que realiza o teste, pois fatores como idade, sexo, nível escolar entre outros, influencia na análise e interpretação. Podemos considerar o Palográfico como sendo um teste psicométrico apenas, mas também podemos analisa-lo como projetivo, sendo que neste caso, estudos grafológicos influenciam na interpretação.

O teste Palografico pela sua simplicidade, é um teste ideal para um país como o nosso, cujo nível educacional não é dos melhores. Traçar palos ou pequenos riscos verticais não configura nenhuma proeza, mesmo para pessoas desaculturadas ou menos escolarizadas, daí este teste poder ser considerado um teste democrático. Ao utilizarmos a estatísca em sua correção, podemos dizer que o teste Palográfico fica ainda mais justo.

Quanto à interpretação do teste, atualmente o Conselho Federal de Psicologia recomenda apenas um livro, ou seja, qualquer resultado diverso do que está em seu conteúdo, muito provavelmente encontra-se em desacordo com as normas aprovadas. O livro em si é apenas uma síntese de diversos outros livros de outros autores, de diferentes origens e editoras, agrupados num único texto.

A duplicidade de interpretação pode ser considerada a maior inimiga dos testes psicológicos de um modo geral, pois geram desconfiança na população e em seus resultados, podendo haver influência da subjetividade do Psicólogo que interpreta o teste. Por este motivo a interpretação computadorizada chega para apresentar maior confiabilidade na análise do teste. Não há interferências desta tal "subjetividade" e num teste gráfico e matemático como o Palografico, caso a interpretação seja diferente do relatório aqui existente, muito provavelmente ocorreu algum equívoco por parte do profissional.

Mas convém salientar que a interpretação informatizada não chegou para tirar a vez do Psicólogo. Pelo contrário, veio para facilitar ainda mais sua vida, auxiliando-o na cansativa tarefa de correção do teste. Poupa-lhe de efetuar cálculos matemáticos e buscar nos livros as devidas interpretações para cada tipo de traço, sendo que ao final e em pouquíssimo tempo, fornece-lhe as diretrizes diagnósticas que podem ser comparadas com a avaliação manual a fim de prevenir possíveis incongruências.

Após alguma prática qualquer um poderá perceber a validade deste método e o substancial aumento de sua produtividade. O software ao evitar diferentes interpretações por parte dos psicólogos, acaba tornando o teste mais confiável. Através dele, um teste realizado no Maranhão ou no Rio Grande do Sul não possuirá diferenças em sua interpretação, daí o candidato jamais sentir-se enganado ou prejudicado por quem apresentou a correção.

Porém o software em si não dispensa o profissional de possuir uma bibliografia adequada para eventuais consultas ou resolução de conflitos não tratados. Um curso sobre o teste Palográfico também se faz imprescindível e deve ser realizado, pois é fundamental para seu correto uso. No curso, deve-se aprender a interpretar de forma manual o teste, conhecer seus fundamentos, histórico e, principalmente, a técnica de aplicação que é uma das questões mais discutidas e um dos maiores motivos de reclamação de quem realiza o teste. Devemos nos cercar de todas as garantias para que as condições de execução e interpretação do teste Palográfico sejam perfeitas. Isso só fortalece a nossa categoria e o uso de testes.

O uso do computador na Psicologia até bem pouco tempo atrás era um tabú. Nossa profissão que vive a falar sobre quebra de paradigmas deve vencer mais esta barreira e aproveitar a tecnologia a seu favor, pois é inevitável seu uso. Não diria ser um bom negócio combater o progresso, mas sim utiliza-lo a seu serviço. Atualmente muitos profissionais ou empresas de RH já fazem uso regular do software. Computador aliado ao cérebro tendo como resultado a satisfação.

 

Ney Limonge - psicanalista e desenvolvedor do Palografico.com
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